quarta-feira, 11 de abril de 2012

Oração à Pachamama

Mãe de Deus,
Espírito da tarde,
Filha do Sol,
Irmã da lua,
Mãe do vento,
Senhora dos Andes,
protetora da vida
em todas as suas formas.

Tu que eras a vida,
a magia de viver,
e a certeza de morrer,
és agora o mistério, o silêncio
e a majestade da cordilheira.

Acendias a madrugada de cada dia,
pressentida pelos pássaros e pelos poetas.
Tu acolhias o Sol
cansado e sonolento
a cada entardecer e sobre Ele
estendias mantos de vicunha,
só percebidos pelos índios da cordilheira.

Tu guiavas o índio perdido
quando seus caminhos chegavam ao céu.
Por que te ensombreceste?


Acaso foram as caravelas?
Foi o homem branco,
que tu não criaste?
Foram seus rifles
e as matanças que fizeram
de tua criação?

que de Atahualpa
beberam o sangue

Foram seus deuses ferozes
e usurparam as riquezas?

Pachamama levanta-te:
A natureza é tua.
a humanidade está a tua espera,


Restitui-a a sua antiga grandeza,
precisa de tua bondade e do teu equilíbrio,
e até o homem branco,

pedindo perdão de joelhos,
chorando te agradecerá.


quarta-feira, 28 de março de 2012

Translação de primavera.

"-La ilusión no se come - dijo ella

-No se come, pero alimenta - replicó el coronel."

(García Márquez, Gabriel . El coronel no tiene quién le escriba. Sudamericana. Buenos Aires, 1994. Pg. 71)

Foto: Banyoles. (Raimon Gil Sora.)

Abrir as janelas de casa e deixar que o sol da primavera adentre e ilumine todas as esquinas amortecidas pelo inverno.

A luz sempre volta a aparecer (como a vida mesma).

O gato estirado, buscando o melhor lugar ao sol, os passarinhos cantando no fio, as orquídeas radiantes, o verde mais intenso e a luz natural refletida nos jarros que decoram o ambiente.

Tudo é primaveral. A vida se renova.

http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&NR=1&v=cJpB_AEZf6U

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Notícia no jornal



Notícia no jornal

(A Miguel Hernández)


Era o ano da Vitória e tú um homem solitário

e abatido de poucas palavras, os agentes

redatavam o informe para o conselho militar,

e fora o esquecimento das andorinhas errando

o vôo e a primavera um lugar muito triste

para a poesia, um canto de amor desesperado.

Isto se passava em quatro de maio de mil

novecentos e trinta e nove. Hoje, setenta anos

mais tarde, li no jornal que continuas

sendo um homem condenado à morte porque,

afinal das contas, o país não mudou tanto

durante a tua ausência. Ainda sonhamos

sob o mesmo céu cinzento de nossos pais.


(Raimon Gil Sora. Vida Menor. Tradução pessoal)

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