(Manuel Bandeira. Na boca. In: Estrela da Vida Inteira. pg. 140. Ed. Nova Fronteira)
Encontrei algumas fotos e folhas manuscritas soltas nas caixas empoeiradas da memória. Revivi os dolorosos momentos já esquecidos, mal gravados e apagados como um velho filme e senti outra vez a amargura dos dias sem sol que emboloram a alma e enegrecem os sentimentos, a tristeza e o amargo da solidão e da saudade.
Nem sempre recordações são felizes, e não se pode apagar o passado como se nunca houvera existido.
O pânico domina minha alma que é triste e obscura como a lua semi-encoberta por nuvens negras nas noites geladas do inverno, e a mente atordoada faz-me sentir o desespero adentrar meus ossos, e minhas pupilas dilatadas pelas lágrimas da alma moída, diluída pela possibilidade...
Memórias são torturas...
Desejaria apenas que o presente fora imutável...
