terça-feira, 13 de outubro de 2009

Desencontros



"O outono, às vezes,
nao sabe o verao
que foi
em nossa vida."


(Renata Pallottini. Nada a lamentar. In: Um Calafrio Diário, pg. 65. Ed. Perspectiva. Sao Paulo, 2002.)

Ao meu pai do coraçao, José Teixeira de Freitas Junior. (In memorian)

Foto: Arquivo pessoal Valéria Araujo.

Amou aquela mulher por vinte longos anos antes de poder declarar-lhe seus sentimentos.
Seguiu amando a mesma mulher até seu último suspiro, mais de trinta anos depois de contar-lhe seu amor.
E à sua família... como se fosse própria...
Um dia ele confidenciou este fato a um jovem amante, que identificando-se chorou e fez disso um poema que ele nunca chegou a conhecer.
Ele se foi. Mas seu legado, o ensinamento e suas liçoes de vida ficaram e ficarao para sempre em nossa memória.
Nós... a quem ele também tanto amou.
Cozinhava legumes à lenha e escutava futebol pela rádio.
Nao costumava falar muito...
O amor tem muitas maneiras de expressar-se...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

À Melinha





Quando éramos crianças, me lembro bem, ela queria viver e reinar absoluta em seu castelo.
Em adolescente sonhava encontrar seu grande amor e ser feliz para sempre.
Agora diz que tudo o que deseja na vida é fazer-se velhinha e agradecer à vida os dias vividos...
E eu, que tenho tantos sonhos intangíveis, e que creía-me forte, rendo-me à força de suas doces e singelas palavras, essa rainha que tem nome de princesa.
E eu... o eterno cavaleiro errante da história...
Tudo o que desejo é sempre poder voltar ao seu castelo e encontra-la velhinha preparando café e pao quentinho enquanto explico as histórias do mundo que vivi...
Do que vi...
Do que espero ver...

terça-feira, 7 de abril de 2009

Esconderijos do Tempo


O remédio é cantares cantigas loucas e sem fim...
sem fim e sem sentido...
dessas que a gente inventava para enganar a solidão dos

[caminhos sem lua.
(“Os retratos”.Mario Quintana. Esconderijos do Tempo pg. 67)
Foto por: Valeria Araújo. Em Torre de Belém, Lisboa. Fev/2009

Voltar aqui e encontrar tudo como deixei ainda assim sentir.me uma estrangeira é como afogar-me em um oceano de lembranças. Minha alma saudosista transporta-me à parede memorável de minhas recordações, e noto que os sorrisos nas fotos se estão apagando... Cronos que tudo devora!

Tudo muda rapidamente em um ínfimo intervalo de tempo e as lembranças me sufocam, e penso também que voltar é como ter outra vez oito anos e minha bicicleta vermelha, sentir o vento nos cabelos, a cabeça cheia de sonhos, uma vida que parece infinita à minha frente e um sorriso eterno nos lábios.

Mas o vento quentíssimo e molesto e a vida já não eterna como antes me devolvem à realidade dos anos que passaram, e a bicicleta vermelha está enferrujada, metáfora dos sentimentos nobres das crianças quando crescem.

Dar-me conta que cresci é deixar que e a vida me faça perceber a mais dura e real distância entre as pessoas, que não é a física, mas é a que sinto quando as tenho em silêncio ao meu lado, como estranhos, sem nada para dizer.

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