terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Saudade, substantivo abstrato



A definição de saudade, segundo o dicionário Aurélio é "Lembrança nostálgica e ao mesmo tempo suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia". "Pesar pela ausência de alguém que nos é querido".

Não entendo porque a minha saudade é tão diferente dessa definição. A minha é abstrata, vem do coração, da alma, das tardes chuvosas e do aperto no peito quando me ponho a pensar em como construir uma máquina do tempo pra voltar lá, naquele preciso instante, rever as cores, deleitar-me com os olores, os gostos, as sensações, e viver tudo outra vez.

A minha saudade é daquela que dói a dor latente, pungente, a dorzinha agradável que por mais que pese não desejo que se acabe.

Saudade do que foi bom, do que marcou, do que ficou na memória...

Quando torne a perguntar-me Belchior “se você vier me perguntar por onde andei” minha resposta será imediata: Pela memória, meu caro, a morada de minha eterna saudade!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A doença de Lula e o serviço público | Carta Capital



Excelente artigo de Pedro Estevam Serrano, que nos leva a refletir em que monstros nos estamos transformando.
Eu continuo impressionada com os papagaios-de-pirata, mas preocupa-me o que vejo: essa situaçao começa a deixar de ser uma brincadeira de mau gosto e passa a ser um grave problema social.
As oligarquias continuam manipulando a massa, que continua cega em seu cabresto sem dar-se conta do grande buraco que está à sua frente.
Lula nao é Deus, e também nao fez um governo perfeito, mas devemos reconhecer que nunca antes esse país teve tanta projeçao (positiva) nacional e internacional como hoje.
Lula diminuiu a desigualdade social, e isso é o que incomoda, porque o Mauricinho gosta muito da sua empregada, desde que ela nao deixe de ser o que é: sua empregada.
O Mauricinho se incomoda quando comenta sua empregada que agora seu filho também está na universidade, nao aceita dividir o mesmo "status".
A sociedade brasileira caminha para uma hipocrisia sem fim.
Creio que já passou da hora de rever nossos conceitos.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

CAFÉ

CAFÉ


Desencarno arábias

de uma xícara morna

de café.

E um fio negro

me assedia a boca.

(Através da janela

o galho de pitanga

ostenta seu adorno

encarnado).

Viajo

pelo negror do pó:

Dar-El-Salam,

Bombaim,

Áden

(sem Nizan, sem Rimbaud):

as colinas ocres,

a poeira dos dias.

De onde vem o grão

dessa saudade?

Desentranho arábias

dessa xícara fria.

Enquanto aguardo o dia

que não chega.

Desacordo e sorvo

a sombra morna

do que sou

na borra

do café.


(NOROES, Everardo. Retábulo de Jerônimo Bosch)

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