quarta-feira, 12 de outubro de 2011

CAFÉ

CAFÉ


Desencarno arábias

de uma xícara morna

de café.

E um fio negro

me assedia a boca.

(Através da janela

o galho de pitanga

ostenta seu adorno

encarnado).

Viajo

pelo negror do pó:

Dar-El-Salam,

Bombaim,

Áden

(sem Nizan, sem Rimbaud):

as colinas ocres,

a poeira dos dias.

De onde vem o grão

dessa saudade?

Desentranho arábias

dessa xícara fria.

Enquanto aguardo o dia

que não chega.

Desacordo e sorvo

a sombra morna

do que sou

na borra

do café.


(NOROES, Everardo. Retábulo de Jerônimo Bosch)

domingo, 21 de agosto de 2011

Tempo para tudo


"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha?
(...) Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida;
E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.
(...) Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?"

(Eclesiastes capítulo 3. Bíblia Sagrada)

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