(João Cabral do Nascimento. In: Canção à meia-voz, Aldina Duarte)
Lisboa trouxe-me as lembranças de minha infância com as cores dos lenços nos cabelos das portuguesas de eu menina, o cheiro de broa-de-fubá e sardinha assada que saíam daquele mundinho que parece ter parado no tempo, a fala arrastada, a atenção, a hospitalidade e a melancolia do povo português.
A partida deixou algo de mim em Lisboa, algo que talvez houvesse explicado a voz tristíssima de Aldina Duarte, um fado na noite, um nó na garganta, a desesperança das palavras como se tudo que é bom durasse apenas um segundo e o resto fosse esperança e saudade...
Lisboa, fado, saudade...
Eu também sou parte de todo esse mundo, e a saudade latente, e a esperança presente, metáfora do Tejo, o Rio que termina onde começa o mar.

