quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Primeiros erros



"Porque não

saberemos nem as noites nem as palavras que
deixamos pendentes continuarei bebendo álcool
e escrevendo versos. O tempo é como um menino
que perdeu a sua mãe e a está buscando"
(Raimon Gil. Subtítulos)



Foto: Raimon Gil Sora. Getxo, País Basco


Como uma criança solitária, brinco de esconde-esconde comigo mesma, tentando convencer-me que sou e sinto-me realizada e que venho fazendo útil minha existência neste planeta...
Essa época anterior ao meu aniversário sempre me faz refletir o inútil que fui, sou e sigo sendo em toda minha vida. (Dizem que é o inferno-astral...)

Busco no espelho a menina que sonhava viajar à lua em um foguete, mas apenas encontro nas marcas do tempo as sombras do passado, e meus olhos cansados da espera impaciente da vida, como quem espera em um aeroporto sem destino, sem previsão de vôo.

Talvez o tempo cure as feridas abertas de minha alma, talvez as cicatrizes já não doam no inverno, talvez as pessoas parem de maltratar e abandonar os animais, talvez as pessoas aprendam a viver em paz e os governos olhem pelas pessoas...

Talvez...

Tudo é apenas talvez...

Os sonhos agora são utopias que perderam-se no tempo...

Chronos é implacável com quem não sabe esperar.

E eu não sei...


domingo, 29 de novembro de 2009

Poema da felicidade


"Nos colocaram no bolo

como um casal de noivinhos.
Se temos que esperar a faca
faremos por ficar no mesmo pedaço.”

(Ronny Someck. Poema da felicidade. Editorial Proa.
Traduçao pessoal a partir do catalao.)


Foto: Raimon Gil Sorà. Lisboa.

A primeira vez que ouvi este poema foi numa linda manha de domingo na praia, você leu-o em voz alta enquanto eu buscava conchinhas...
Quisera que toda a vida fosse um domingo de sol na praia, ou uma noite de tempestade abraçada ao teu corpo, um beijo roubado à beira do Tejo em uma tarde de domingo ou o cheiro de fruta fresca na primavera....
A vida é muito curta para esperar o momento certo, as palavras adeqüadas para dizer os sentimentos, sorrir, demonstrar.
Amar é sempre. É hoje.
Amar é mudar-se de corpo, alma e malas para a vida do outro.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Desencontros



"O outono, às vezes,
nao sabe o verao
que foi
em nossa vida."


(Renata Pallottini. Nada a lamentar. In: Um Calafrio Diário, pg. 65. Ed. Perspectiva. Sao Paulo, 2002.)

Ao meu pai do coraçao, José Teixeira de Freitas Junior. (In memorian)

Foto: Arquivo pessoal Valéria Araujo.

Amou aquela mulher por vinte longos anos antes de poder declarar-lhe seus sentimentos.
Seguiu amando a mesma mulher até seu último suspiro, mais de trinta anos depois de contar-lhe seu amor.
E à sua família... como se fosse própria...
Um dia ele confidenciou este fato a um jovem amante, que identificando-se chorou e fez disso um poema que ele nunca chegou a conhecer.
Ele se foi. Mas seu legado, o ensinamento e suas liçoes de vida ficaram e ficarao para sempre em nossa memória.
Nós... a quem ele também tanto amou.
Cozinhava legumes à lenha e escutava futebol pela rádio.
Nao costumava falar muito...
O amor tem muitas maneiras de expressar-se...

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